terça-feira, 21 de abril de 2009

Obama reforça apoio à criação de Estado palestino

María Peña.

Washington, 21 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reiterou hoje seu apoio à coexistência entre palestinos e israelenses, e afirmou que espera ver "gestos de boa-fé" para que o processo de paz no Oriente Médio avance.

Depois de se reunir pela primeira vez no Salão Oval da Casa branca com o rei Abdullah II, da Jordânia, Obama ressaltou que está convencido de que é preciso fazer pressão pela solução de um Estado israelense ao lado de outro palestino, com ambos coexistindo em paz.

"Minha esperança é que, nos próximos meses, comecemos a ver gestos de boa-fé por parte de todos. Não quero entrar nos detalhes de quais poderiam ser, mas acho que as partes na região provavelmente reconhecem quais seriam os passos intermediários para inspirar confiança" no processo, afirmou o presidente americano.

De todas as formas, os EUA querem continuar encorajando o "compromisso" dos países árabes no processo de paz no Oriente Médio, disse.

Nesse sentido, classificou como "um passo muito construtivo" os esforços dos países que formularam a chamada Iniciativa Árabe de Paz, apesar da estagnação nas negociações.

Por sua vez, o rei jordaniano, visivelmente satisfeito com o encontro com Obama, enfatizou a necessidade de ninguém perder de vista que o objetivo final do processo é "a paz e a estabilidade".

Além disso, Abdullah II reiterou seu compromisso de estreitar os vínculos entre EUA e Jordânia e agradeceu os esforços de Obama para aumentar a aproximação do Ocidente com o mundo muçulmano.

Em declarações à Agência Efe, o porta-voz do Conselho de Segurança dos Estados Unidos, Michael Hammer, disse que ambos os líderes "discutiram muitos assuntos relacionados ao processo de paz, incluindo os assentamentos (judeus), a questão de Jerusalém, o lançamento de foguetes em Gaza e o fortalecimento da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e suas instituições".

Embora nada de novo tenha saído do encontro entre Obama e o rei Abdullah II, a reunião serviu para uma nova demonstração de apoio político à busca de uma solução para o conflito, que dura várias décadas.

Na sua visita à Turquia há duas semanas, o presidente dos EUA reiterou seu "firme" apoio à criação de dois Estados.

O Governo de Obama apoia um processo de paz no Oriente Médio baseado na Iniciativa Árabe e que inclua, simultaneamente, um diálogo bilateral entre Israel e os palestinos, e outro entre Israel e Síria.

Essa iniciativa tem o objetivo de normalizar as relações entre Israel e os 22 países-membros da Liga Árabe, em troca da retirada israelense dos territórios ocupados desde 1967, do estabelecimento de um Estado palestino e de uma solução para os refugiados palestinos.

O Governo de Washington acha que qualquer avanço no processo de paz na região pode contribuir para os esforços diplomáticos que visam bloquear as ambições nucleares do Irã.

Sem especificar uma data, Obama disse que espera se reunir com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, quando este viajar aos EUA, possivelmente no fim de maio.

Para Obama, os esforços de pacificação ganham uma renovada urgência e as partes no conflito devem tomar passos para evitarem uma queda "no abismo".

Obama, que chegou à Casa Branca com a ideia de mudar a imagem dos EUA no mundo, tenta dar um novo impulso ao processo de paz no Oriente Médio, algo que não seu antecessor, George W. Bush, não conseguiu.

De fato, o encontro de hoje aconteceu num contexto de grande incerteza, dada a resistência do novo Governo israelense (direita) de apoiar a criação de um Estado palestino.

Obama disse que seu enviado especial para a região, George Mitchell, continuará "ouvindo" todos os agentes no conflito. Porém, advertiu que, em algum momento, será preciso passar do diálogo a medidas concretas.

"Em algum momento, será preciso tomar passos para que as pessoas vejam um progresso sobre o terreno (...). O que queremos fazer é dar um passo para trás, para evitar uma queda no abismo. Ainda existe a possibilidade da paz, mas isso requereria decisões difíceis", observou Obama.
UOL Celular

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